Catarse(...)1. Purgação, purificação, limpeza. (...) 3.Psicol. Efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou traumatizante, até então reprimida. 4. O efeito moral e purificador da tragédia clássica, conceituado por Aristóteles, cujas situações dramáticas, (...), trazem à tona o sentimento de terror e piedade dos espectadores, proporcionando-lhes o alívio, ou purgação, desses sentimentos.(...) Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1986)

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

pecado sutil

Enrolado entre lençóis brancos, o corpo de pele pálida parecia frio.
Desfalecia, entregue, como se vida ali já não houvesse.
Mas a face rubra denunciava o frescor do pecado, que floresce apenas onde há o ardente calor da vida.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Em um quarto distante e impessoal, um reencontro

Pela janela do sexto andar, analiso a cidade desconhecida. Arrisco-me na fantasia de uma vida construída ali. Aprecio as construções irregulares e antigas, o roncar dos motores de uma movimentada avenida, e a noite que demora a cair no horizonte.
São nove da noite e ainda há luz no entorno desta Terra. Estou sentada numa cama confortável, com a TV ligada, e essa máquina quente sobre meu colo. Na parede, há um espelho, que me reflete o lado oeste da cidade. Naquele canto, o céu ainda sustenta um redundante azul celeste. E, repito, passam poucos minutos das nove horas.
Estou aqui há poucas horas. Algumas delas foram muito bem investidas em uma gostosa soneca. Alguns minutos alternados entre a internet e um filme na TV. Algumas páginas de estudo tiveram seu espaço. Também tive tempo de chorar, assistindo à tragédia provocada pela chuva no litoral fluminense.
Mas bem aqui, nesse lugar, longe de casa, fui surpreendida por um encontro inesperado. Meu coração, que andava angustiado, silenciou. E posso dizer que neste instante sinto felicidade.
É que nesse quarto distante e impessoal, após inúmeros desencontros, mais uma vez, me reencontrei.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

migalhas

Passeio por esse jardim da internet e recolho os pequenos detalhes que deixas pra mim. Em silêncio, colho cada sinal como se fossem flores, e monto um delicado buquê, tão sutil como tem sido sua discreta e carinhosa presença...

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Nova infância

A menina vivia naquela cidade há alguns anos. Foi acompanhar seu pai, que decidira mudar de vida e investir em novos empreendimentos.

Em seguida, mudou-se também a sua mãe. Desde então, apesar de viverem em endereços diferentes, moravam na mesma cidade.

A menina era muito feliz e encontrara uma enriquecedora diversidade de amigos. Isso sempre foi motivo de orgulho para aquela menina que não tinha irmãos.

Aprendeu a viver a uma certa distância do restante da família. Ela supunha saudável esse afastamento, porque aprendera em textos de psicologia que o convívio familiar fortalece papéis os quais se pretende alterar.

A menina sentiu na pele essa dicotomia. A importância de ter uma família que afaga, que protege, que alimenta a alma de amor fraternal. E a necessidade de se romper paradigmas, de se recriar, de redescobrir-se.

Ela já não era tão menina, nem tão moça. Mas aprendera que as contradições são inerentes à vida, ao se humano, ao amor. E que a distancia lhe doía, mas lhe permitia uma euforia única quando a vida lhe oferecia os reencontros.

E nesses momentos curtos e intensos com a sua grande e tumultuada família, ela podia ser apenas aquela menina...

sábado, 16 de outubro de 2010

Recolho-me entre lençóis brancos e macios.
Aprecio o silêncio.
Inspiro profunda e lentamente.
E antes do fim do suspiro, adormeço só.

sábado, 18 de setembro de 2010

Saboreio o verde desse vinho gelado. Leve e seco. Preparo meu paladar para encontrar-te. Sei que estás desprevenidamente sonolento. Lendo qualquer coisa sem importância enquanto esperas pela minha companhia para dormirmos inocentes, como adormecem os grandes amores após superados o fogo da paixão.

Planejo surpreender-te em doces beijos temperados pela uva. Beijos doces, prolongados, suaves, gentis, leves, secos e açucarados.
Pretendo lembrar-te do que mais há entre nós, além da pacífica cumplicidade. Desejo assinar embaixo de um texto apaixonado, escrito a suor e sussurros. Anseio gritar ao pé do seu ouvido, que em nosso amor fraternal e eterno ainda arde um não sei o quê impublicável.

Daqui donde escrevo das mais diversas coisas, que cruzam a minha mente inquieta, te vejo entre as “entreportas” do nosso canto chamado lar. As frestas delimitam tua figura em pedaços. E eu as amo. Apaixono-me por suas partes. Por cada uma delas me envolvo de sentimentos. E assim, de pouco em pouco, me entrego a ti por inteiro.

domingo, 12 de setembro de 2010

A essas horas eu aguardo o seu chamado. Mas o silêncio é ensurdecedor. Não há chamadas. Não há você.
Não sinto saudades. Sinto desejo. Expectativa pelo desconhecido. Estou tranquila numa varanda, ao balançar da rede. O sol se põe vermelho, o calor é suavizado com a brisa que acompanha o crepúsculo. A noite chega escura. As estrelas e a lua iluminam, parcialmente, a trilha se seguir.
E o percurso se define a cada passo. Sem mapa, sem bússola, sem destino. Apenas o desejo de seguir, se permitir, se decobrir...