Amores são desprovidos de fórmulas. Cada encontro alinha-se em seu próprio encanto. Todavia, minha querida amiga, amor é de sentir-se por pessoas. E essas são livres. E se não for assim, amor não é.
Eu venho, desde muito jovem, me aperfeiçoando na arte lutar. Pelos meus desejos, meu espaço, minha liberdade, minha opinião, minhas crenças e objetivos. Carrego no sangue uma teimosia doente. Lanço olhares sinceros de ódio e, quando extremamente necessário, guardo na manga um falso e doce sorriso, bem convincente.
Mas meus amores nunca foram conquistados. Sou guerreira da vida, e o amor é meu campo de refúgio. É meu momento de despir-me das armaduras, alíviar-me dos pesos das armas, sentir-me leve.
Posso lutar até por um Estado, por um país, ou por um ideal ingênuo. Luto pelo paradigma que me foi imposto nessa saga inscrita em minha história. Irracional e Impulsiva.
Ah! Mas meu amor deve ser espontâneo, desarmado, livre. O meu amor deve ser inconquistável. O amor que eu sonho, deve ser aquele encontrado no meio de um caminho inesperado, para que eu possa me ludibriar em fantasias românticas, sonhando ter sido ele me imposto pelo destino.Porque não houve procura, não houve artimanhas ou estratégias.
O meu amor simplesmente acontece. A única força que poderá mantê-lo é a reciprocidade e o desejo mútuo e reconfortante de estar-se ali.
Catarse(...)1. Purgação, purificação, limpeza. (...) 3.Psicol. Efeito salutar provocado pela conscientização de uma lembrança fortemente emocional e/ou traumatizante, até então reprimida. 4. O efeito moral e purificador da tragédia clássica, conceituado por Aristóteles, cujas situações dramáticas, (...), trazem à tona o sentimento de terror e piedade dos espectadores, proporcionando-lhes o alívio, ou purgação, desses sentimentos.(...) Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1986)
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Esvaziamento d´alma
Nada pode ser mais devastador para um poeta do que a dor, que, de tão doída, lhe arranca a poesia. Posso suportar a solidão das pessoas, mas não suportarei essa mudez, esse silêncio, esse nada que me invade a alma e esvazia meu coração.
Fiz de mim, minha melhor companheira e conselheira. É de minhas entranhas que extraio essa energia intensa de vida que se expressa em palavras sentidas. É do pulsar lento de minhas veias, que me esculpi num curso de proporções hidrográficas, seguindo em enxurrada, o percurso de minha própria correnteza.
Por falta de terra firme, tornei-me exímia navegadora desse eu enchente, e há muito abandonei os enjôos causados por esse horizonte sempre instável. As palavras choradas, ainda que em gargalhadas, tornaram-se proas de minhas diversificadas embarcações.
Mas se me afogo em água tão turva, que nem mesmo um verso me atravessa a alma, sinto-me imergir nesse triste silêncio sem retorno, que é o mesmo que constatar que morri.
Fiz de mim, minha melhor companheira e conselheira. É de minhas entranhas que extraio essa energia intensa de vida que se expressa em palavras sentidas. É do pulsar lento de minhas veias, que me esculpi num curso de proporções hidrográficas, seguindo em enxurrada, o percurso de minha própria correnteza.
Por falta de terra firme, tornei-me exímia navegadora desse eu enchente, e há muito abandonei os enjôos causados por esse horizonte sempre instável. As palavras choradas, ainda que em gargalhadas, tornaram-se proas de minhas diversificadas embarcações.
Mas se me afogo em água tão turva, que nem mesmo um verso me atravessa a alma, sinto-me imergir nesse triste silêncio sem retorno, que é o mesmo que constatar que morri.
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Ressabiada, deixo-me conduzir por essas mãos pouco conhecidas. Com o canto de olho, observo a suavidade com que me tocam, e me surpreendo quando percebo que ainda permanecem ali.
Desde então, tenho sido flagrada sorrindo ao nada. E meu olhar matreiro denuncia o teor clandestino de onde passeiam meus pensamentos.
Desde então, tenho sido flagrada sorrindo ao nada. E meu olhar matreiro denuncia o teor clandestino de onde passeiam meus pensamentos.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Vigiar as palavras de um poeta é tão castrador quanto impedir ao boêmio a boemia.
Vasculhar pela verdade do poeta é persuadi-lo a uma realidade que lhe é indigesta.
Poetar é transgredir à insossa realidade, é derramar-se do que ainda lhe falta, é dar vida ao que morre dia a dia.
Respeitar a poesia é aceitá-la, se lhe fizer sentido. Caso contrário, deixe-a seguir seu rumo, assim mesmo, sem verdade, sem razão, sem prumo.
Vasculhar pela verdade do poeta é persuadi-lo a uma realidade que lhe é indigesta.
Poetar é transgredir à insossa realidade, é derramar-se do que ainda lhe falta, é dar vida ao que morre dia a dia.
Respeitar a poesia é aceitá-la, se lhe fizer sentido. Caso contrário, deixe-a seguir seu rumo, assim mesmo, sem verdade, sem razão, sem prumo.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Republicando. Escrito em 31 de maio de 2004
Vou criá-lo para mim
Imaginá-lo
Desenhá-lo
Serás a minha invenção
Fruto de muita e deliciosa imaginação
Não sei como será o seu rosto.
Suas mãos, quero-as fortes e intensas
Energia tântrica me excitando com paixão
O corpo...
Forte? Talvez não!
Deve ser quente,
sabor transpiração.
De sua boca, entre um e outro beijo molhado ou não)
sairão muitas palavras,belas, inteligentes, negligentes, insanas ou de perversão.
Hei de senti-lo quente
Pulsando
Com meu quadril em suas mãos.
Porém, não saberei amá-lo eternamente
Se não for livre para amar-me
Pois te criei com essa função.
Ai não! Amor narciso, sem graça
Não és nada! Só fruto da minha
própria imaginação
Amor platônico!
Pensando bem...
Te quero não!
Imaginá-lo
Desenhá-lo
Serás a minha invenção
Fruto de muita e deliciosa imaginação
Não sei como será o seu rosto.
Suas mãos, quero-as fortes e intensas
Energia tântrica me excitando com paixão
O corpo...
Forte? Talvez não!
Deve ser quente,
sabor transpiração.
De sua boca, entre um e outro beijo molhado ou não)
sairão muitas palavras,belas, inteligentes, negligentes, insanas ou de perversão.
Hei de senti-lo quente
Pulsando
Com meu quadril em suas mãos.
Porém, não saberei amá-lo eternamente
Se não for livre para amar-me
Pois te criei com essa função.
Ai não! Amor narciso, sem graça
Não és nada! Só fruto da minha
própria imaginação
Amor platônico!
Pensando bem...
Te quero não!
sábado, 10 de setembro de 2011
Ele ficou ali, sentado sobre a cama, admirando sua última conquista. Ela dormia profundo, entregue. A pele voltava vagarosamente à palidez usual, mas ainda restava manchada de uma cor indefinida, envernizada, úmida, e salgada.
Embora já não sentisse qualquer vestígio de desejo por aquele corpo, regozijava-se pelo seu mérito. Havia, porém, um leve sentimento de frustração, por ter sido um desafio menos trabalhoso do que supunha.
Quando a escolheu, entre tantas as outras moças que não lhe davam a devida atenção, julgava ser ela a mais próxima do inalcançável. Um tanto misteriosa, trazia consigo um gestual que sutilmente denunciava sua autoconfiança. Suas palavras sagazes esbanjavam uma capacidade de interação com o mundo, mas evidenciavam uma auto proteção exacerbada, que denunciava seu ponto fraco.
Sentia-se atraído pela moça. Menos pelo desejo de tê-la em seus braços, e mais pelo desafio que sua personalidade intrigante lhe instigava.
Nunca pensou que de fato a teria, assim, lânguida, desprotegida, escancarada sobre seus lençóis. Tão pouco pôde prever que a teria tido em seus braços, com olhar tão doce, e respiração ofegante.
Sua entrega foi tão intensa, transparente, presente e desarmada, que lhe estancava o encantamento. Sentiu-se um tanto decepcionado. Traído, de certa forma.
Continuou sentado, esperando o sabor da conquista diluir-se misturado entre seus lençóis. Nada lhe restava a fazer, a não ser esperar que a moça se fosse, para, então, sair em busca de uma nova e instigante conquista.
Embora já não sentisse qualquer vestígio de desejo por aquele corpo, regozijava-se pelo seu mérito. Havia, porém, um leve sentimento de frustração, por ter sido um desafio menos trabalhoso do que supunha.
Quando a escolheu, entre tantas as outras moças que não lhe davam a devida atenção, julgava ser ela a mais próxima do inalcançável. Um tanto misteriosa, trazia consigo um gestual que sutilmente denunciava sua autoconfiança. Suas palavras sagazes esbanjavam uma capacidade de interação com o mundo, mas evidenciavam uma auto proteção exacerbada, que denunciava seu ponto fraco.
Sentia-se atraído pela moça. Menos pelo desejo de tê-la em seus braços, e mais pelo desafio que sua personalidade intrigante lhe instigava.
Nunca pensou que de fato a teria, assim, lânguida, desprotegida, escancarada sobre seus lençóis. Tão pouco pôde prever que a teria tido em seus braços, com olhar tão doce, e respiração ofegante.
Sua entrega foi tão intensa, transparente, presente e desarmada, que lhe estancava o encantamento. Sentiu-se um tanto decepcionado. Traído, de certa forma.
Continuou sentado, esperando o sabor da conquista diluir-se misturado entre seus lençóis. Nada lhe restava a fazer, a não ser esperar que a moça se fosse, para, então, sair em busca de uma nova e instigante conquista.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
A dolorosa...
Passando a régua, noves fora, nunca será zero.
Sempre se leva um punhado de vida, ainda que dor.
Minha alma tornou-se acanhada, sisuda.
Mas, ainda, não se esquiva covarde.
Adulta, serena, pé ante pé.
Sentidos apurados, suspiros tímidos, desconfiados.
Menos estabanada, acolho o temor alheio.
Baixo a guarda, confio, permito, sinto.
No passar da régua, sempre há o que se levar.
Necessário apenas estar-se inteiro. Porque ao sair, é melhor que seja andando, ereto, firme. Convicto de que valeu, sem pena.
Sempre se leva um punhado de vida, ainda que dor.
Minha alma tornou-se acanhada, sisuda.
Mas, ainda, não se esquiva covarde.
Adulta, serena, pé ante pé.
Sentidos apurados, suspiros tímidos, desconfiados.
Menos estabanada, acolho o temor alheio.
Baixo a guarda, confio, permito, sinto.
No passar da régua, sempre há o que se levar.
Necessário apenas estar-se inteiro. Porque ao sair, é melhor que seja andando, ereto, firme. Convicto de que valeu, sem pena.
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